Operação Pleonexia: Polícia Federal desarticula esquema fraudulento de empresa de energia solar que movimentou R$ 151 milhões

Foto: Receita Federal e Polícia Federal

 

A operação Pleonexia, deflagrada nesta terça-feira (25) pela Polícia Federal e pela Receita Federal, desarticulou uma organização criminosa especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro. O grupo operava sob a fachada de uma empresa de energia solar e atraia investidores de todo o país com a promessa de lucros obtidos por meio da comercialização de créditos de energia solar.  

Ao todo, são cumpridos um mandado de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nas cidades de Natal/RN, Barueri/SP e Goiânia/GO, expedidos pela 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte. A ação envolve 52 policiais federais e 12 servidores da Receita Federal.

A empresa investigada, Alpha Energy Capital, prometia rendimentos mensais entre 4% e 5%, valores muito acima dos praticados no mercado. Segundo a Receita Federal, o modelo de negócio se mostrava insustentável e apresentava fortes indícios de fraude.

No portfólio dirigido aos potenciais investidores, a Alpha Energy Capital existência de onze usinas de energia solar com capacidade de geração superior a 1,2 milhão de kWh/mês. No entanto, a investigação revelou que apenas uma unidade estava efetivamente conectada à rede elétrica, produzindo apenas 28.325 kWh – um valor muito inferior ao anunciado.

Além disso, a empresa não possuía autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para operar e não estava registrada na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), essencial para atuar no mercado.

 

Grupo movimentou milhões de reais

De acordo coma Receita Federal, a maior parte dos valores captados “era desviada para a aquisição de imóveis, veículos de alto padrão, joias e outros itens de luxo pelos investigados.”

“O montante ilícito movimentado ultrapassa R$ 151 milhões, com recursos provenientes de aproximadamente 6.300 pessoas, distribuídas em 732 municípios brasileiros.”, informou  órgão. 

Diante das evidências, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de cerca de R$ 244 milhões em bens dos envolvidos, visando ao ressarcimento das potenciais vítimas e ao pagamento de multas e custas processuais

O líder do esquema, preso preventivamente, já possuía antecedentes criminais e utilizava terceiros para ocultar sua participação no esquema fraudulento. Ele também responde a processos por estelionato, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro, por causa de um golpe supostamente praticado em 2021, envolvendo a captação fraudulenta de recursos por meio de uma plataforma de apostas esportivas.

Diante da abrangência do caso, a Polícia Federal disponibilizou um canal para que as vítimas possam registrar denúncias e informar valores investidos e prejuízos sofridos. 

O termo “Pleonexia”, que nomeia a operação, tem origem grega e significa “ganância excessiva” ou “ambição desmedida”, evidenciando o objetivo do grupo de auferir vantagens financeiras ilícitas em prejuízo de milhares de investidores.